Agente Funerário: Profissional que se dedica em confortar e auxiliar as pessoas nos momentos mais difíceis

JC Profissões, Edição 19/08/2016.

     Nesta edição, será apresentada uma profissão de grande importância para a sociedade, que exige muita responsabilidade, conhecimento, preparo psicológico e espiritual, e que durante a passagem entre a vida e a morte algum dia todos irão precisar dos serviços deste profissional, o agente funerário. O Agente Funerário é o profissional responsável por atuar na remoção e preparação dos corpos, para velórios, enterros e afins. Esta profissão necessita de conhecimentos de Tanatopraxia e conservação de cadáveres. Tratamento de corpos pós morte, higienização, embelezamento e substituição de fluídos corporais, ornamentação da urna.

     Em Crissiumal, o agente funerário Talvani Pohl Zillmer tem 47 anos de idade e já trabalha nesta profissão há mais de 30 anos. É proprietário a Funerária Zillmer, empresa criada pelo seu pai Eugênio Zillmer na década de 80. De acordo com Talvani, antigamente os velórios eram realizados nas casas dos familiares ou no ar livre sob a sobre de uma árvore. Preocupado com esta situação inconveniente, Eugênio decidiu construir um espaço mais adequado para a realização dos velórios. Dessa forma, criou a 1ª capela mortuária ecumênica da região. Esta capela engloba todas as religiões. Atualmente, os velórios normalmente são realizados em capelas mortuárias ou em salões de comunidades locais.funeraria-zillmer-crissiumal-rs-5-copy

     O agente funerário tem a difícil função de trabalhar com pessoas nos momentos mais difíceis da vida. É uma profissão que exige muita dedicação, afinal, o atendimento se dá 24 horas por dia, durante todos os dias do ano. O funeral é um processo com várias etapas. Primeiramente, cabe ao agente funeral conversar com os familiares em um escritório ou algum ambiente mais aconchegante, no intuito de oferecer palavras de conforto e compaixão nesse momento de tanta dor, também dar dicas dos procedimentos legais, questões de custos e também esclarecer demais dúvidas dos familiares. Talvani explicou que esta primeira conversa é muito importante, pois, a família debilitada nem sem está com condições psicológicas e emocionais para pensar e organizar todos os procedimentos legais e burocráticos de um funeral. Neste caso, os familiares só precisam escolher a urna mortuária “caixão”, a roupa e uma coroa, as demais questões ficam a cargo do agente funeral.

     A próxima missão desse profissional é buscar o corpo no hospital, em casa ou onde quer que seja o local do óbito. O corpo é trasladado até a funerária e é encaminhado até a sala de preparação. Esta é uma sala especialmente equipada para procedimentos funerais como banho químico, aspiração e colocação de roupa. Talvani comentou que os familiares não participam desses procedimentos, somente o agente funeral e seus assessores. Enquanto isso, em uma outra sala os familiares escolhem a urna mortuária em um mostruário, dentro da qual o corpo será velado, sepultado ou cremado. “Temos que ser ágeis nesses processos, pois os familiares e amigos não gostam de esperar. Eu e minha equipe normalmente conseguimos preparar o corpo e deixá-lo pronto para o velório em questão de 1 hora”, afirmou. Após o velório, a equipe da funerária também se responsabiliza pelo translado até o respectivo cemitério, segundo religião ou comunidade.

Talvani Pohl Zillmer

Talvani Pohl Zillmer

     A funerária Zillmer é administrada por Talvani juntamente com sua esposa Adriana, possui dois funcionários fixos e mais dois diaristas em casos de necessidade. Também possui equipes de apoio nas cidades de Santa Rosa, Passo Fundo e Porto Alegre. Talvani comentou que essas equipes de apoio agilizam muito a transferência destas cidades até Crissiumal, inclusive citou um exemplo que aconteceu há alguns meses atrás onde, um homem faleceu por volta das 15h30min em um hospital de Passo Fundo. Mesmo com o atraso do médico para liberar o corpo e assinar o atestado de óbito, às 20h15min do mesmo dia o corpo já estava em Crissiumal na sala de preparação.

     Exercer esta profissão é prova de muitos desafios, seja para sempre transparecer confiança, oferecer um serviço de qualidade e competência, manter a mente equilibrada emocionalmente mesmo em momentos difíceis.

     Além da experiência prática adquirida junto com o pai, Talvani é formado em diversos cursos de aperfeiçoamento de agente funeral. Ele comentou que trabalhar nesse ramo exige também uma grande infraestrutura como escritório, um amplo e variado estoque de urnas mortuárias, sala de preparação devidamente equipada, 2 capelas, 2 veículos adaptados e funcionários qualificados. Comentou também que em cidades grandes a sala de preparação já é obrigatória, e que ao longo dos próximos anos será obrigatória em todas as funerárias do país.

     Talvani explicou que a sua funerária é cadastrada e credenciada no Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do Rio Grande do Sul – SESF RS. Esse credenciamento permite a remoção de corpos com morte violenta “trágica” no Rio Grande do Sul. O sindicato realiza um sistema de rodízio entre as funerárias credenciadas, em Crissiumal, somente a Zillmer pertence ao sindicato, assim, automaticamente é acionada para a remoção dos corpos em todos os casos de morte trágica da região. Nesse caso, a funerária acionada tem a obrigação de remover o corpo no local do óbito e trasladar até o IML mais próximo, e esse serviço é gratuito e não pode ser cobrado dos familiares. Após entregar o corpo no IML, a família tem o direito de escolher com qual funerária deseja proceder o funeral, porém, a partir de então o serviço passa a ser cobrado, conforme seguinte cláusula do sindicato: “A família poderá escolher a funerária de sua confiança para realização do funeral após a liberação do corpo pelo PDML, responsabilizando-se com o pagamento do funeral a partir deste momento”.

     Para finalizar, Talvani fez um comentário a respeito dos sepultamentos. Disse que por questões ambientais e também pelo espaço restrito nos cemitérios, a tendência é que futuramente aumentem os processos de cremação, pois, o custo não tem muita diferença, inclusive é mais baixo por não ter o alto investimento na construção e manutenção dos túmulos.

Por: Neimar R. Ritter