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Conheçam a história de Ari Jede, que depois de aposentado se tornou artesão

A criatividade humana é algo que não tem limites. Cada um tem o seu dom, sua vocação, um talento ou uma habilidade especial. Nesta edição será apresentado um profissional que utiliza diariamente muita criatividade, paciência, detalhismo e amor por cada objeto criado: o Artesão.

Ari Jede, segurando o Brasão do Município de Crissiumal-RS

Ari Jede é um conhecido artesão da cidade de Crissiumal, tem 63 anos de idade e em grande parte de sua vida trabalhou em linha de produção, porém, antes trabalhava com metal e agora com madeira. Durante 20 anos trabalhou como metalúrgico mecânico na empresa Máquinas Agrícolas Ickert, de Ewaldo Ickert. Lá aprendeu a lidar com ferramentas, equipamentos e máquinas industriais como torno, solda, lixadeira, serras de corte, furadeiras, entre outras. “Ao longo destes anos que trabalhei na Ickert
inúmeras vezes eu e meus colegas tínhamos que usar da criatividade para resolver determinados problemas, por exemplo, quando não havia mais determinada peça em estoque, nós a fabricávamos (junta de motor, anéis de pistão, etc), que eram peças com detalhes mínimos, nessa época eu já me considerava às vezes um artesão”, comentou sorridente.

Em 1997 conseguiu se aposentar em virtude do tempo de contribuição, pois havia trabalhado até os 22 anos de idade na agricultura e mais 20 anos na metalúrgica. “Os primeiros 30 dias de aposentaria pareciam férias para mim, mas em pouco tempo os dias começaram a ficar mais compridos e eu fiquei impaciente, tive que me ocupar com alguma coisa. Foi aí que decidi comprar algumas máquinas e começar uma nova profissão, a partir de então me tornei artesão”, contou Ari.

Muitas pessoas questionavam ele no começo: “-Bah! Você sempre trabalhou com ferro e agora vai lidar com madeira? Você está se acertando?”. E ele sempre respondia o seguinte: “-Quem sabe trabalhar com ferro, domina a madeira do mesmo jeito!”. Ele montou no quintal da casa um pequeno galpãozinho, onde possui uma furadeira de bancada e outra normal, plaina, desempenadeira, lixa, serra circular, torno, serra fita, serra tico-tico e demais ferramentas.

Começou produzindo cadeiras “Eu não gosto de copiar as coisas e fabricar exatamente igual. Eu gosto de colocar alguns detalhes exclusivos, que acabam sendo meu diferencial. Agora que já tenho praticamente 20 anos de experiência no trabalho com artesanato, a maioria dos meus produtos eu mesmo invento”, comentou. No começo ele não era muito conhecido, mas com o passar do tempo as vendas de cadeiras aumentaram e também, pouco a pouco, foi criando e fabricando novos produtos. Atualmente, além das vendas que realiza em casa, Ari participa de feiras no município e junto com mais outros 10 artesãos, expõem seus produtos na Casa do Artesão.

É difícil citar todos os produtos que Ari já fabricou, pois alguns são exclusivos, feitos sob encomenda. Podese citar alguns dos artesanatos apresentados a equipe do jornal durante a reportagem: flores em madeira, máquina de tirar caroço de algodão, chaleirinhas e cuias de madeiras, massageadores, brinquedos infantis, lustres, porta papel higiênico e papel toalha, fruteiras,
capelinhas, baús, animais esculpidos na madeira, brasão do município, do RS e do Brasil, frutas decorativas de madeiras, cadeiras dobráveis e de balanço, mesas dobráveis, casinhas para armazenar vinho e salame, sinos, casinhas de passarinho, cavalinhos para as crianças se balançarem, porta cuia e térmica, porta garrafas e copos, porta espetos, vasos de flor, entre outros.

O espaço em que ele fabrica sua arte é pequeno, por isso ele não aceita encomendas de produtos grandes. Ao longo da conversa foi possível perceber o quanto ele ama essa profissão e sua esposa Laura Luísa Robaert Jede, sempre lhe apoia. Ela também faz artesanato, porém, mais voltado ao crochê e costura.

Quando questionado sobre qual é o produto mais difícil de fabricar, Ari respondeu o seguinte: “Nenhum
artesanato em madeira é fácil de fabricar. Pois quando a madeira quebra, você tem que substituir. No caso do ferro já é diferente, pois é possível fazer uma simples solda e resolver o problema. Mas se eu tivesse que realmente eleger qual o artesanato mais difícil feito na madeira, eu diria que é o brasão, pois se eu errar qualquer coisinha no momento de esculpir os desenhos e os letreiros, eu acabo perdendo a arte inteira e tenho que começar no zero. É um verdadeiro jogo de calma e atenção”. Para fazer os brasões ele utiliza 100% ferramentas manuais. Disse que a ferramenta de corte mais eficiente que ele utiliza para esculpir ele mesmo fabricou, sendo um pedaço de lâmina para cortar ferro, com uma ponta muito afiada.

Outro desafio que Ari enfrenta é em relação à madeira utilizada para fabricar esses artesanatos. Normalmente ele utiliza eucalipto e pínus, mas disse que o ideal seria utilizar madeira de lei, por ser mais resistente e duradoura. As vezes consegue nas marcenarias e serrarias alguns retalhos de madeira de lei.

“Lidar com artesanato em madeira é um grande desafio e a margem de lucro não é muito alta, pois a madeira é cara, é necessário um bom aparato de equipamento e cada peça leva um bom tempo para ser produzida. Tem coisas que eu levo uma semana inteira para fabricar. Em relação aos perigos da profissão, tenho que sempre estar atento para não me machucar e o pó da madeira também é prejudicial à saúde. Mesmo assim, eu gosto muito de ser artesão e enquanto Deus permitir,
quero seguir nessa profissão.”, finalizou Ari.

CONFIRA A GALERIA DE FOTOS:

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Ernani Luis Bohn fala sobre a profissão de Mecânico

Nesta semana, no dia 20 de dezembro o Brasil comemorou o Dia do Mecânico, e o JC não poderia deixar essa data passar em branco sem homenagear estes profissionais tão importantes para a sociedade. Para saber um pouco mais sobre esta profissão, a equipe de redação conversou com Ernani Luis Bohn, mecânico e proprietário da Mecânica do Ernani, localizada na Av. Vitório Dezorzi, na saída para Humaitá.

Ernani é casado com Roseli Rosler Bohn e mora em Crissiumal desde 1978, ano em que veio com seus pais da cidade de Marechal Cândido Rondon-PR. Inicialmente, seu pai Bruno Bohn trabalhou na Tornearia Crissiumal, junto com o irmão Ari Bohn. Mais tarde, Bruno investiu num negócio próprio criando uma ferraria, na qual prestava serviços de manutenção, fabricava ferramentas e também carroças, que até hoje são produzidas. Observando seu pai trabalhar, Ernani foi adquirindo experiência e habilidades com ferramentas mecânicas, tanto é que, com o passar dos tempos ele e seu pai acabaram trabalhando também na manutenção de veículos. A paixão pela mecânica já vem de berço, e hoje, além de mecânico Ernani é também um empreendedor e conta com ajuda de sua esposa.

Equipe de profissionais da Mecânica do Ernani

Equipe de profissionais da Mecânica do Ernani

Anteriormente, a razão social ainda esteve em nome de seu pai, mas no ano de 2005 foi fundada a Mecânica do Ernani, que conta hoje com 16 funcionários, sendo que dois trabalham diretamente na mecânica leve, e os demais na mecânica pesada. Atualmente, sua empresa oferece assistência para todas as marcas, desde a linha leve até a linha pesada (carros, caminhonetes, caminhões, ônibus, etc).

Além da prestação de serviços, a empresa também possui uma completa sessão de peças, sendo também fornecedora para demais oficinas da região. Possui uma grande área de abrangência, desde Ijuí até Tenente Portela, Tiradentes do Sul, Boa Vista do Buricá e arredores.

Ernani comentou que faz periodicamente cursos de aperfeiçoamento, tanto presenciais quanto online. Disse que compra cursos sobre os mais diversos assuntos, e que alguns precisam ser feitos fora do estado. Citou o exemplo dos cursos de caixa de câmbio, que são feitos em São Paulo direto na fábrica. Os funcionários também participam dos cursos. Os mesmos são designados a participar de acordo com o curso e a sua respectiva função na empresa, por exemplo, as pessoas encarregadas na manutenção de caixa, fazem os cursos de caixa. Uma ação importante em vários sentidos, além da especialização da mão de obra, acaba também valorizando o funcionário, dando oportunidades de aperfeiçoamento.

A profissão de mecânico é de grande responsabilidade, principalmente por envolver questões de segurança. A linha de mecânica pesada é bem complexa nessa questão, por exemplo, um caminhão não pode ter um freio razoável ou uma peça mal instalada, porque isso pode comprometer a viagem podendo provocar graves acidentes e causar muitos transtornos. Essa é a grande diferença para a linha leve, ou melhor, quando um carro estraga, o proprietário chama um guincho e leva até a oficina mais próxima. Mas quando estraga um ônibus com mais de 40 passageiros, ou senão, uma carreta carregada com 32 toneladas, o que fazer?

Sobre os picos na demanda de serviços, Ernani explicou que aumenta principalmente nos períodos que antecedem as safras, onde os produtores rurais aproveitam para realizar as manutenções preventivas de seus caminhões para evitar estragar durante a safra. “Nesses casos aperta um pouco nosso dia a dia, pois além dos atendimentos diários normais (ônibus, leiteiros, carros, etc) tem mais esses outros caminhões para serem consertados”, comentou. Para garantir a assistência, a equipe se reveza em turnos de plantão, dessa forma, 24h por dia tem funcionários disponíveis para atender as emergências mecânicas.

Qual o maior desafio desta profissão? “É chegar numa assistência e conseguir resolver o problema do cliente o mais rápido possível, para que o mesmo possa seguir viagem. Conseguir ajudar o cliente é um motivo de satisfação. Às vezes me apresso demais na estrada, sei que isso não é bom e nem seguro, e minha esposa me cobra por isso, mas por outro lado também não quero deixar meu clientes esperando muito tempo, por isso agilizo o resgate”, comentou Ernani.

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Enfim, agradece a toda equipe de funcionários e também aos clientes e amigos, afirmando que ambos são fundamentais para a empresa. Também deseja a todos um Feliz Natal e Próspero Ano Novo acompanhado por Deus.

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Dia do Pedreiro: Conheça a história da família Lissarassa

Dona Elvira e João Lissarassa

Dona Elvira e João Lissarassa

Essa família atua a mais de 28 anos na construção civil, e a mãe e avó Elvira, ainda atua com muita vontade e disposição em todas obras contratadas

No dia 13 de dezembro, o Brasil comemorou o Dia do Pedreiro, este profissional tão importante para a sociedade. Esta é uma profissão milenar que exige muita técnica, criatividade, força física e intelectual, e demanda muito de detalhes e assertividade. Em homenagem a esses profissionais, o JC foi a campo e encontrou uma equipe de pedreiros que trabalha em família, onde até uma mulher auxilia no trabalho braçal, os quais fundaram a empresa Lissarassa Construções.

A construção civil entrou na vida dessa família há muitos anos. Em meados de 1984, João Lissarassa aprendeu a construir com o pedreiro Armelino Simon dos Santos, com o qual trabalhou por aproximadamente 4 anos. Depois disso, João passou a construir por conta própria e contou com a ajuda da esposa Elvira e do filho Alceu, que na época tinha apenas 11 anos de idade. A primeira obra da família foi a Igreja do Evangelho Quadrangular, em 1988, localizada na Rua Buricá.

O tempo foi passando, novas obras surgindo e o amor e dedicação pela profissão também foi aumentando. Hoje, aos 64 anos de idade, João nem pensa em para de construir, assim como sua esposa Elvira, que está com 61 anos de idade e participa de todas as obras. Porém, de um tempo para cá, ela passou a assumir tarefas mais leves deixando o trabalho mais pesado para os homens. Além do casal, faz parte da equipe o filho Alceu e também os genros Dario Wachtmann e Edson Heinreich.

Edson, Dario, Elvira, João e Alceu - Equipe da Lissarassa Construções

Edson, Dario, Elvira, João e Alceu – Equipe da Lissarassa Construções

Ver uma mãe de família rebocando uma parede ou pintando uma casa não é uma cena muito comum, mas Elvira disse que sabe fazer todas as tarefas, seja para trabalhar com massa fina, reboco, sentar tijolos, colocação de telhado, entre outras.

Nos últimos quatro anos, a empresa passou a ser liderada pelo filho Alceu, o qual revelou gostar muito da profissão e que não consegue se imaginar trabalhando em outra coisa. Ele falou que é preciso ter cuidado no relacionamento pessoal, principalmente por todos profissionais serem da mesma família. “Temos que tomar muito cuidado para não misturar nossa vida pessoal com a profissional, temos que saber distinguir, pois aqui na obra somos colegas de trabalho e existe uma hierarquia, lá fora somos pai, mãe, cunhado, irmão, etc.”, comentou Alceu.

“No serviço o Alceu é nosso patrão, e se às vezes ele precisa chamar nossa atenção para alguma coisa, tranquilo, isso faz parte do trabalho. Mas depois do expediente, quando nos reunimos em casa para tomar um mate, nossa relação familiar continua pacífica como sempre”, comentou Dario.

Alceu explicou que tem serviço durante o ano inteiro, porém, nessa época de final de ano normalmente o trabalho se acumula, pois, além das construções de casas e prédios comerciais, aparecem muitas reformas mais pontuais, como por exemplo, pintura, reforma de calçadas, puxados, cercas, etc. Mas comentou que só aceita aquilo que sua equipe consegue cumprir dentro do prazo exigido. Disse que trabalham normalmente de segunda à sábado. “Temos boa flexibilidade nas negociações, podemos trabalhar por hora, por empreitada, fornecemos somente a mão de obra ou também o material, fizemos a construção, instalamos toda parte elétrica, hidráulica, fizemos pinturas, ou seja, se o cliente desejar, entregamos a casa pronta com a chave na mão”, explicou Alceu.

As mudanças no clima são um grande desafio para a profissão. O calor escaldante judia de quem tem que trabalhar longe da sombra, porém, o frio intenso também diminui a mobilidade. “Outra coisa que eu vejo como um desafio é conseguir melhorar nosso trabalho a cada obra que assumimos. Jamais podemos regredir. Temos que satisfazer nossos clientes, e a próxima casa deve sempre ficar melhor que a anterior”, comentou Dario. A partir do momento em que o engenheiro entrega a planta completa, a obra fica sob responsabilidade dos pedreiros, os quais devem ter a capacidade de interpretar os cálculos, medidas, ângulos e demais caraterísticas propostas, e finalizar a obra tal e qual foi projetada. “Todo trabalho feito com amor, é bem feito. A construção civil flui nas veias de nossa família, e enquanto Deus nos permitir, vamos continuar nessa profissão, que não constrói apenas casas, mas também constrói sonhos”, finalizou João.

Igreja do Evangelho Quadrangular. Primeira obra que a família construiu, em 1988.

Igreja do Evangelho Quadrangular. Primeira obra que a família construiu, em 1988.

Casa construída pela família Lissarassa

Casa construída pela família Lissarassa

Casa construída pela família Lissarassa

Casa construída pela família Lissarassa